Como ler um relatório de avaliação antes da entrevista
Você lê o relatório para preparar a entrevista: onde confirmar e onde aprofundar para cada candidato.
Chega o relatório de avaliação de um candidato e você o abre com a melhor intenção: aproveitá-lo para entrevistar melhor. Mas há gráficos, seções, um sinal de aderência ao cargo e vários blocos que você não sabe em que ordem olhar. Entre uma reunião e outra, você acaba lendo em diagonal cinco minutos antes da entrevista e entra na sala com as mesmas perguntas de sempre.
O problema não é o relatório: é que ninguém te disse para que ele serve de verdade. Não é um veredito que toma a decisão por você. É um mapa que te diz, para esta pessoa específica, onde você já tem evidência suficiente e onde convém investigar ao vivo. Lê-lo com essa intenção muda completamente como você prepara a conversa.
O que um relatório inclui (e o que ele não é)
Antes de lê-lo, convém saber o que você tem em mãos. Um relatório de avaliação reúne os sinais que o candidato deixou ao resolver competências combinadas conforme o cargo, mais os controles de integridade que dão contexto sobre como a avaliação foi feita. É evidência além do currículo: mostra como a pessoa raciocina, não só o que diz saber.
O que ele não é: uma sentença. O relatório não decide quem contratar nem toma o lugar da entrevista. A equipe mantém a decisão final; a Kokoro apoia essa decisão te dando algo comparável entre candidatos. Se você quiser ver em detalhe o que chega à sua caixa depois de avaliar, detalhamos em o que o RH recebe depois de avaliar.
Como lê-lo: três passadas, não uma
Não leia de cima a baixo. Faça em três passadas curtas:
- Visão geral. Olhe o sinal de aderência ao cargo e os controles de integridade. Isso te situa: o perfil está em linha com o que busco? A avaliação foi feita em condições normais?
- Por competência. Pare nas duas ou três competências críticas do cargo. É ali que está o que importa, não na média geral.
- Contrastes. Procure os desníveis: forte em uma coisa, mais fraco em outra. Esses contrastes são o seu material de entrevista.
Do relatório à entrevista: confirmar vs investigar
Aqui acontece a mágica, e é simples. Cada sinal do relatório cai em uma de duas categorias:
- Confirmar. Onde o candidato mostra um sinal sólido, não o dê como certo: peça um exemplo real. “O relatório sugere que você resolve bem sob pressão, me conte a última vez em que precisou disso.” Você confirma que a evidência tem respaldo na experiência dele.
- Investigar. Onde o sinal é mais fraco ou ambíguo, não descarte: explore. Uma competência fraca pode ser falta de exposição, não de capacidade. A entrevista existe para resolver justamente essas dúvidas.
Assim você distribui o tempo onde ele agrega. Deixa de gastar a entrevista com perguntas genéricas e a usa para fechar as lacunas concretas de esta pessoa. Temos um guia dedicado a isso em preparar a entrevista com evidência.
Veja como é um relatório de avaliação por dentro.
Ver relatório de exemploLeia em paralelo entre candidatos
Um relatório sozinho te diz algo. Três relatórios do mesmo processo, lidos com o mesmo critério comum, te dizem muito mais. Quando você avalia antes de entrevistar, todos os candidatos passaram pela mesma régua, então as diferenças que você vê são reais e não ruído de “fui melhor com ele na ligação”.
Coloque-os lado a lado e pergunte: quem mostra sinais mais fortes no que de fato pesa para o cargo? Essa comparação, feita com evidência e não com impressões, é o que permite decidir com respaldo a quem priorizar para entrevistar a fundo.
Erros comuns ao ler um relatório
- Ficar no número geral. A média esconde os contrastes, que são o mais útil.
- Lê-lo como veredito. Um sinal baixo não desqualifica; é um convite a perguntar.
- Ignorar os controles de integridade. Eles dão contexto para interpretar o resto.
- Não anotar nada. Saia do relatório com três perguntas escritas para a entrevista. Senão, o relatório fica na tela e você entra na sala improvisando.
Se você quiser aprofundar em como as competências se montam por tipo de cargo, veja nossa biblioteca de recursos ou o detalhe do produto.
Em resumo
Leia o relatório em três passadas: visão geral, competências críticas e contrastes. Classifique cada sinal em confirmar ou investigar e saia com três perguntas escritas por candidato. Compare-os com o mesmo critério para decidir a quem priorizar. O relatório não toma a decisão por você: te dá evidência além do currículo para que você entre em cada entrevista sabendo exatamente onde olhar primeiro.
Perguntas frequentes
Para que serve o relatório de avaliação?
Para preparar a entrevista com evidência: mostra onde confirmar e onde aprofundar com cada candidato, e ajuda a comparar com um critério comum.
O relatório me diz quem contratar?
Ele dá um sinal comparável e respaldo para decidir, mas a equipe mantém a decisão final.