O que perguntar em uma entrevista por competências
Perguntas por competências que pedem comportamento passado real, não opiniões, e como ancorá-las na evidência prévia de cada candidato.
Em uma entrevista por competências você pergunta sobre comportamento passado real, não sobre opiniões. Em vez de “você se considera organizado?”, peça um exemplo concreto: “me conte a última vez em que teve que lidar com várias entregas ao mesmo tempo, o que você fez”. Você escolhe duas ou três competências críticas do cargo, não dez, e aprofunda com perguntas de acompanhamento. A avaliação prévia diz onde você já tem sinal e onde convém investigar, assim você foca as perguntas onde elas mais contribuem.
A armadilha da entrevista por competências é acreditar que basta nomear a competência e perguntar se a pessoa a tem. “Você é bom trabalhando em equipe?” Ninguém vai dizer que não. Essa pergunta não informa nada: só convida a uma resposta de manual. A entrevista por competências funciona quando você deixa de pedir autoavaliações e começa a pedir histórias reais.
O princípio: comportamento passado, não opinião
O que descreve uma pessoa não é o que ela diz de si mesma, mas o que fez. Por isso a pergunta-chave quase sempre começa igual: “Me conte uma situação em que…”. Você busca um exemplo concreto com três partes: o que aconteceu, o que você fez (não a equipe, você), e o que resultou.
- Em vez de “você lida bem com pressão?” → “Me conte a última vez em que teve que entregar algo importante com muito pouco tempo. O que você fez?”
- Em vez de “você é bom resolvendo conflitos?” → “Me fale de uma vez em que teve um desacordo sério com um colega. Como você lidou com isso?”
- Em vez de “você tem orientação ao cliente?” → “Me conte sobre um cliente difícil de que você se lembre. O que você fez com ele?”
A diferença é enorme: a primeira versão dá uma opinião, a segunda dá evidência.
Escolha poucas competências, aprofunde de verdade
O erro mais comum é querer cobrir tudo. Se você tenta perguntar sobre dez competências em uma hora, toca todas na superfície e não verifica nenhuma. Melhor escolher as duas ou três que de fato pesam para o cargo e explorá-las a fundo.
Para definir quais importam, parta do cargo e não de uma lista genérica. Nós desenvolvemos isso em como escolher competências por cargo. E se você quer entender o que é uma avaliação por competências em geral, está em o que é a avaliação por competências.
O acompanhamento é onde está o valor
A primeira pergunta abre o tema. O que distingue um caso vivido de uma resposta ensaiada são as perguntas de acompanhamento:
- “Que outras opções você considerou antes de fazer isso?”
- “Se pudesse repetir, o que faria diferente?”
- “O que aconteceu depois? Como você soube?”
Quem viveu a situação responde com detalhe e nuances. Quem a inventou fica sem saída quando você aperta. Por isso convém poucas competências: você precisa de tempo para fazer perguntas de acompanhamento.
Ancore as perguntas na evidência prévia
Aqui a avaliação prévia muda o jogo. Se você chega à entrevista com um relatório de cada candidato, já sabe em quais competências ele mostra sinal sólido e em quais convém investigar. Isso permite distribuir as perguntas com critério: confirmar o que é forte com um exemplo real, explorar o que é fraco com uma pergunta aberta.
A evidência prévia não responde pelo candidato; faz com que suas perguntas deixem de ser genéricas e apontem para o que falta verificar nesta pessoa. O método completo está em como montar perguntas a partir da avaliação.
Explore as competências que você pode avaliar por cargo.
Ver biblioteca de competênciasErros frequentes
- Perguntar por opiniões. “Você se considera…?” sempre dá a mesma resposta. Peça exemplos.
- Cobrir competências demais. Poucas e a fundo ganha de muitas na superfície.
- Não fazer perguntas de acompanhamento. Sem acompanhamento, você não distingue o vivido do ensaiado.
- Ignorar a evidência prévia. Se você tem o relatório, use-o para focar; se não, vai improvisar.
Em resumo
Pergunte sobre comportamento passado real, não sobre opiniões: “me conte uma situação em que…”. Escolha duas ou três competências críticas do cargo e aprofunde com perguntas de acompanhamento que distingam o vivido do ensaiado. Ancore tudo na evidência prévia para focar onde contribui. A avaliação não substitui a entrevista por competências: a torna mais precisa. Comece pela biblioteca de competências ou pelo detalhe do produto.