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Relatórios e decisão

O que perguntar em uma entrevista por competências

Perguntas por competências que pedem comportamento passado real, não opiniões, e como ancorá-las na evidência prévia de cada candidato.

6 min de leitura Por Equipo Kokoro · Atualizado junho de 2026

Em uma entrevista por competências você pergunta sobre comportamento passado real, não sobre opiniões. Em vez de “você se considera organizado?”, peça um exemplo concreto: “me conte a última vez em que teve que lidar com várias entregas ao mesmo tempo, o que você fez”. Você escolhe duas ou três competências críticas do cargo, não dez, e aprofunda com perguntas de acompanhamento. A avaliação prévia diz onde você já tem sinal e onde convém investigar, assim você foca as perguntas onde elas mais contribuem.

A armadilha da entrevista por competências é acreditar que basta nomear a competência e perguntar se a pessoa a tem. “Você é bom trabalhando em equipe?” Ninguém vai dizer que não. Essa pergunta não informa nada: só convida a uma resposta de manual. A entrevista por competências funciona quando você deixa de pedir autoavaliações e começa a pedir histórias reais.

O princípio: comportamento passado, não opinião

O que descreve uma pessoa não é o que ela diz de si mesma, mas o que fez. Por isso a pergunta-chave quase sempre começa igual: “Me conte uma situação em que…”. Você busca um exemplo concreto com três partes: o que aconteceu, o que você fez (não a equipe, você), e o que resultou.

  • Em vez de “você lida bem com pressão?” → “Me conte a última vez em que teve que entregar algo importante com muito pouco tempo. O que você fez?”
  • Em vez de “você é bom resolvendo conflitos?” → “Me fale de uma vez em que teve um desacordo sério com um colega. Como você lidou com isso?”
  • Em vez de “você tem orientação ao cliente?” → “Me conte sobre um cliente difícil de que você se lembre. O que você fez com ele?”

A diferença é enorme: a primeira versão dá uma opinião, a segunda dá evidência.

Escolha poucas competências, aprofunde de verdade

O erro mais comum é querer cobrir tudo. Se você tenta perguntar sobre dez competências em uma hora, toca todas na superfície e não verifica nenhuma. Melhor escolher as duas ou três que de fato pesam para o cargo e explorá-las a fundo.

Para definir quais importam, parta do cargo e não de uma lista genérica. Nós desenvolvemos isso em como escolher competências por cargo. E se você quer entender o que é uma avaliação por competências em geral, está em o que é a avaliação por competências.

O acompanhamento é onde está o valor

A primeira pergunta abre o tema. O que distingue um caso vivido de uma resposta ensaiada são as perguntas de acompanhamento:

  1. “Que outras opções você considerou antes de fazer isso?”
  2. “Se pudesse repetir, o que faria diferente?”
  3. “O que aconteceu depois? Como você soube?”

Quem viveu a situação responde com detalhe e nuances. Quem a inventou fica sem saída quando você aperta. Por isso convém poucas competências: você precisa de tempo para fazer perguntas de acompanhamento.

Ancore as perguntas na evidência prévia

Aqui a avaliação prévia muda o jogo. Se você chega à entrevista com um relatório de cada candidato, já sabe em quais competências ele mostra sinal sólido e em quais convém investigar. Isso permite distribuir as perguntas com critério: confirmar o que é forte com um exemplo real, explorar o que é fraco com uma pergunta aberta.

A evidência prévia não responde pelo candidato; faz com que suas perguntas deixem de ser genéricas e apontem para o que falta verificar nesta pessoa. O método completo está em como montar perguntas a partir da avaliação.

Explore as competências que você pode avaliar por cargo.

Ver biblioteca de competências

Erros frequentes

  • Perguntar por opiniões. “Você se considera…?” sempre dá a mesma resposta. Peça exemplos.
  • Cobrir competências demais. Poucas e a fundo ganha de muitas na superfície.
  • Não fazer perguntas de acompanhamento. Sem acompanhamento, você não distingue o vivido do ensaiado.
  • Ignorar a evidência prévia. Se você tem o relatório, use-o para focar; se não, vai improvisar.

Em resumo

Pergunte sobre comportamento passado real, não sobre opiniões: “me conte uma situação em que…”. Escolha duas ou três competências críticas do cargo e aprofunde com perguntas de acompanhamento que distingam o vivido do ensaiado. Ancore tudo na evidência prévia para focar onde contribui. A avaliação não substitui a entrevista por competências: a torna mais precisa. Comece pela biblioteca de competências ou pelo detalhe do produto.

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